Mil e quem?
Esse foi o programa idealizado por amigos para mim. Falei que nunca tinha ouvido falar do local. Na verdade, achava que era o número de algum ônibus ou coisa parecida. Beleza, devidamente preparado para a "balada", saímos de Copacabana e nos direcionamos para Barra da Tijuca. Na minha cabeça, eu tinha decidido: na pior das hipóteses eu fico no New York City Center. Quando passamos pelo local, meus olhinhos brilhavam como orvalho da manhã. Perguntei em um tom entusiasmado:
- É aqui!? Já chegamos?

- (Risos) Você está louco!? Ainda precisamos trocar de ônibus e você ainda tem que pegar mais dinheiro
Além da minha visível decepção, ainda havia o problema financeiro. Principalmente quando são 10 horas da noite (esse aqui é o meu momento institucional: Se você procurar um bingo, uma loja de conveniência , no hospital e na rodoviária, você consegue fazer um saque de no máximo de R$100,00). Como ainda estávamos no ônibus, um de meus amigos deu a idéia de irmos no Bingo.
Entramos no bingo, e aquilo era um sonho: Luxuoso, iluminado, bar e cheio de pessoas da Terceira Idade que gastavam "bolinhos" de dinheiro em Slot Machines. Lindo o lugar, dá para passar muito tempo ali, pensei. Pronto! Já tinha o meu plano B. Se ficasse muito ruim, poderia voltar para ali. Na verdade, fiz meu amigo prometer a voltar para alí se a festa estivesse um lixo. Ele topou. Pegamos um novo ônibus, um pouco cheio e já eram 11:35 da Quarta - Feira, véspera de feriado. No caminho, conversavam comigo, para tentar me fazer esquecer de olhar o caminho que parecia ficar cada vez mais distante da Barra. Um senhor, querendo descer pediu licença assim:
-Com Li....BURRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRP..cença.Bem na cara de um amigo meu e o meu rosto.

Eu sei que eu senti um cheiro de churume péssimo. Realmente eu pensei que tivesse sido o bafo do indíviduo, mas na verdade era o caminhão de lixo da Colurb na frente do ônibus. (Ninguém me tira que a criatura tinha comigo repolho cozido regado com catuaba selvagem). Do nada meus amigos me chamam, por que estávamos no ponto. Quando de repente, me vejo em uma encruzilhada (sem nenhum padé de macumba, um verdadeiro milagre) e sem uma viva alma. Atrás de mim o supermercado Mundial (que sejamos sensatos, é um presságio do fim). Na minha cabeça eu me perguntava:
-Onde está a estrada de tijolos de ouro????? Doroty, onde está você!? Wally? Onde está o Wally?

Perguntei:
-E agora, para onde vamos?

-Tá vendo aquela ladeira ali? Pois é, só subir que lá em cima é a Boite.

Pronto, estava configurado ali o meu Caminho de Santiago, uma peregrinação em busca de uma purificação de espíritos, pagando por todos os pecados, desde os milk-shakes de ovomaltine tomados durante a semana até aqueles exercícios na esteira que eu escapulia antes de terminar a série. Na minha cabeça eu cantava a música tema do Jorge Tadeu, de Pedra Sobre Pedra ("Madana, mohana, murari... Haribôooo, Haribôoo, Haribôooo").
Depois de meia hora, finalmente chegamos e para minha surpresa, o local não era de todo ruim. Estava todo enfeitado para uma festa de halloween, muito bem produzido por sinal. O lugar era grande mas como toda boite, o ar refrigerado nunca dá vazão. O lugar lotado, o que trás o aspecto importante: Pessoas suadas devem manter distância, pelo menos meio metro. Já não sou fã de aglomerações mas estava inevitavelmente cheio o ambiente. Eram três pistas: uma com Eletrônica (minha favorita), outra com Video-kê (me recuso a classificar) e a última era Retrô, bem razoável. Festa vai e babados vêm, o relógio marcava 4:30 da matina quando eu escuto o som do Praga: AXÉ MUSIC! e pessoas fazendo coreografias como se fossem integrantes de um grupo desses... Era a hora de ir embora! Se você reparar, axé music é a música para dar um toque para as pessoas irem embora! E foi o que aconteceu. Não foi um desastre e até me diverti.

Postado em 04/11/2006
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